Em teatros, shoppings, edifícios ou em qualquer local público onde exista um sistema de ar-condicionado ou ventilação instalado, o ar que respiramos pode não estar tão limpo quanto pensamos.
Você já se perguntou qual é a qualidade do ar que você respira? Se nas ruas acreditamos que a poluição é uma das responsáveis pelos maiores problemas que influenciam o nosso bem estar, fique sabendo que nos lugares fechados, pode ser ainda pior. Em teatros, shoppings, edifícios ou em qualquer local público onde exista um sistema de ar-condicionado ou ventilação instalado, o perigo existe.
E nos ambientes onde o ar deveria ser ponto de partida para a boa saúde, como hospitais e clínicas, a situação é grave.
No Estado a realidade é considerada alarmante, já que as redes de duto de ar escondem verdadeiras fontes de contaminação por causa da sujeira que se instala nas tubulações. Em Campo Grande, nos hospitais e clínicas a condição é crítica já que não existe interesse das firmas em fazer a limpeza, como afirmam os donos de empresas especializadas, as raras que existem na cidade.
Após a morte do ministro das Comunicações, Sergio Motta, em 1998, após contrair uma bactéria que se aloja no ar-condicionado, a Legionella, o Ministério da Saúde baixou portaria exigindo a higienização mensal dos aparelhos de ar-condicionado. A bactéria oportunista ataca, principalmente, pessoas com sistema imunológico debilitado.
Porém, mesmo sendo uma determinação, em Campo Grande a realidade é outra. O proprietário da DHL Diagnóstica e Hospitalar, Marcelo Ferreira Mello, uma das poucas empresas que realiza limpeza de tubulações, avalia que a situação é preocupante.
“É uma questão de saúde pública. O índice de contaminação, o índice de doenças transmitidas pelo ar é grande e posso garantir que quase 100% dos locais em Campo Grande não faz a limpeza correta dos dutos”. Mas Mello lembra também que todos demonstram interesse em fazer a limpeza.
Desde os mais inusitados objetos como embalagens de veneno de rato, até mesmo animais mortos como ratos, pombos e escorpiões, além de pó, muito pó, já foram encontrados nos dutos, como lembrou Marcelo.
“Aqui as empresas não se preocupam. Acham que trocar o filtro que fica no ar-condicionado é suficiente, mas não sabem como é importante limpar os dutos”, diz Tania.
Como fica a saúde? De acordo com os médicos, a limpeza adequada e periódica dos filtros e dutos de ar evitam inúmeras doenças respiratórias.
Segundo a médica infectologista e coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Universitário, Andyane Tetila, pessoas que estão rotineiramente em locais onde não há manutenção dos sistemas de ar ou ventilação tendem a apresentar doenças respiratórias. “Podem também desencadear quadros alérgicos como rinite, asma e sinusite”, diz Tetila.
No caso dos hospitais, a médica ressalta que os sistemas de ar e ventilação devem passar por manutenção e limpeza periódicas, além de rigorosas, já que são encontrados facilmente micro-organismos que transmitem infecções respiratórias complicadas, como tuberculose e o vírus influenza.
Limpeza: Atualmente as empresas realizam, tanto a limpeza quanto a manutenção, de forma robotizada. Um mini robô entra no duto e depois de capturar as imagens, uma espécie de vassoura faz a escovação à seco do local. Por último um aspirador retira toda a sujeira.
